2007-09-18

Mutismo Selectivo

Por: João Pereira


O que é o Mutismo Selectivo?

O mutismo selectivo é uma perturbação da infância, caracterizada por uma incapacidade da criança falar em certos espaços sociais, como a escola. Estas crianças compreendem a linguagem e são capazes de falar com toda a normalidade em espaços onde se sentem à vontade, seguros e confiantes. A escola surge como o primeiro meio social diferente do familiar que as crianças enfrentam, cenário onde se tornam evidentes as dificuldades de interacção e comunicação verbal e onde se pode detectar com maior facilidade o mutismo incipiente. É de assinalar que o mutismo selectivo contém altos níveis de sofrimento pessoal, além de acentuados problemas de adaptação ao meio. Além das características próprias do mutismo, estas crianças apresentam algumas características de timidez, isolamento social, dependência, perfeccionismo, etc., que em caso de competição com outro aluno podem agravar o problema ou contribuir para a sua consolidação.


Mais de 90% das crianças com mutismo selectivo apresentam também uma fobia social ou ansiedade social, considerando alguns autores o mutismo selectivo como um sindroma de Ansiedade Social, não estando claro ainda por que desenvolvem certos indivíduos os sintomas típicos da ansiedade social, sendo certo que as crianças/jovens com mutismo selectivo sentem um real medo de falar e de interagir em contexto social. Também podem ser incapazes de comunicar de uma forma verbal, ou de estabelecerem contacto visual e podem ficar paralisados de medo quando se vêem confrontados em certas situações sociais específicas. O modelo explicativo do quadro seguinte expõe o funcionamento do mutismo selectivo e os antecedentes e consequentes que interactuam com ele provocando-o, mantendo-o e reforçando-o.


Verificamos assim uma série de factores que em interacção mútua modulam, condicionam, produzem, reforçam, mitigam ou regulam o comportamento do aluno com mutismo selectivo. Tais factores, embora nem todos presentes necessariamente numa determinada criança com mutismo selectivo, desenvolvem-se nos seguintes contextos:



Factores relevantes de âmbito escolar


- Generalização de expectativas negativas do professor e do aluno em relação à possível evolução e normalização da fala da criança: tanto o professor como os colegas pensam e verbalizam que a criança não fala, nem vai falar.

- Acomodação do contexto às dificuldades da criança: o aluno deixa de fazer certas actividades escolares porque não fala (p.e. saltar o aluno sistematicamente quando se faz perguntas…), os colegas fazem de “intérpretes” da criança, permite-se que se expresse por gestos…

- Diminuição de situações em que é necessário a comunicação oral: nem o professor nem os colegas solicitam à criança respostas orais.

Factores relevantes de âmbito familiar e social

- Excessiva atenção por não falar: pergunta-se sistematicamente à criança se falou na escola, e se sim, com quem, quando e como.

- Alto nível de exigência por parte dos pais para que fale, e fale correctamente: os pais mostram-se excessivamente exigentes quanto à correcção da fala…

- Soperprotecção familiar: dependência excessiva do adulto, originando assim pouco desenvolvimento de hábitos de autonomia pessoal e de comportamentos responsáveis.

- Modelo familiar com relações sociais inadequadas e/ou escassas: ausência ou escassez de experiências de contactos e interacções sociais.

Factores relevantes relacionados com características de personalidade

- Excessivo rigor, meticuloso, perfeccionismo que impedem a criança de se confrontar com situações com medo de fracassar.

- Excessiva inibição social, timidez e retraimento que dificultam as relações interpessoais.

- Escassas habilidades comunicativas e linguísticas que dificultam a comunicação oral.

Como intervir no Mutismo Selectivo?

Sendo o mutismo selectivo uma perturbação de ansiedade, a intervenção com êxito centra-se em métodos para diminuir a ansiedade, aumentar a auto-estima, a confiança e a comunicação no contexto social. Nunca se deve colocar a ênfase sobre “conseguir que a criança fale”, nem que fale com o terapeuta. Os progressos realizados fora da intervenção clínica são muito mais importantes que o falar com o terapeuta. Inicialmente, devem ser eliminadas todas as expectativas de verbalização. Quando a ansiedade diminuir e a confiança aumentar, normalmente a verbalização aparece. Dado o mutismo selectivo poder ter origem em várias causas, a intervenção deverá contemplar a actuação nos contextos familiar, social e escolar e ter em atenção as seguintes medidas:

- Tanto as atitudes de soperprotecção como as que tendem a minimizar ou ignorar o problema e que têm como objectivo não provocar o sofrimento na criança, não fazem mais que reforçar e incrementar o mutismo.

- As situações de comunicação natural não são suficientes para superar o mutismo. É necessário planificar e implementar outras situações, garantindo sempre o êxito da interacção comunicativa da criança.

- A intervenção deve partir sempre do que a criança é capaz de fazer com ajuda.

- A exigência deve ser ajustada à progressão e mantida ao longo de todo o processo, evitando a tendência natural à acomodação, no nível alcançado, tanto da criança como do contexto.

- A necessidade de rigor, carácter sistemático e a diversidade dos contextos de intervenção exige a coordenação de todos os técnicos intervenientes no processo.

O objectivo final da intervenção é que a criança com mutismo selectivo seja capaz de estabelecer uma interacção verbal de forma espontânea com os adultos e crianças da escola e do seu meio social e familiar, levando a termo pedidos verbais espontâneos e respondendo de forma audível às perguntas que outros interlocutores lhe colocam. A intervenção deve ser realizada de forma paralela em diferentes contextos: família e escola, condições pessoais e sociais da criança ou outro mais específico que incide directamente na interacção verbal. Este modelo de intervenção, resumido no seguinte esquema, considera que o objectivo é conduzir a intervenção atempada e preventivamente pelo que aponta uma série de critérios de carácter geral que podem ajudar o professor e a família a adoptar medidas que permitam superar a dificuldade na fase inicial.


Estes critérios são dirigidos fundamentalmente à consecução dos objectivos elementares:


- Fortalecer a estrutura de personalidade da criança com mutismo melhorando as características pessoais, familiares e sociais.
- Adoptar medidas específicas relacionadas com as dificuldades de comunicação e fala da criança em situações e contextos sociais concretos, com o objectivo de minimizar esta dificuldade e melhorar a situação do mesmo.


Pode haver crianças para as quais estes critérios gerais não sejam suficientes. Neste caso, o processo de intervenção deverá ser planeado de forma mais exaustiva e específica, tendo em atenção as condições e características da criança e do meio em que se desenvolve.

A orientação inicial poderá resumir-se ao seguinte esquema:
Medidas e orientações para a família


É relativamente frequente que o pai e a mãe da criança com mutismo selectivo não tenham consciência do problema, considerando que é uma questão de timidez, que se resolverá com a idade. Outros, pelo contrário, manifestam grande ansiedade e exigência excessiva a respeito da fala da criança. O problema deve ser abordado na sua justa dimensão, não devendo desejar-se que evolua sem tomar medidas, nem mostrar excessiva ansiedade e preocupação já que com isso unicamente se conseguirá incrementar a ansiedade e o bloqueio da criança.


A) Medidas para melhorar as características familiares, pessoais e sociais

- Oferecer à criança um ambiente de segurança, comunicação, serenidade, compreensão e afecto.
- Eliminar atitudes de soperprotecção.
- Manifestar confiança nas possibilidades da criança e na superação do problema.
- Evitar os estilos de autoridade rígidos e a exigência excessiva de perfeição da criança.
- Desenvolver hábitos correctos de autonomia e rotinas na dinâmica familiar adequados à sua idade em relação à alimentação, higiene, vestir…
- Ensinar responsabilidades adequadas à sua idade que se repercutam positivamente na família.
- Estabelecer regras básicas de funcionamento em casa.
- Actuar pela positiva, destacando os pontos fortes, reforçando as tarefas que a criança realiza adequadamente e utilizando com frequência o reforço social.
- Procurar actividades físicas de carácter lúdico que permitam descarregar as tensões que experimentam as crianças durante o dia de escola.
- Facilitar ao máximo a interacção com os colegas, vizinhos e amigos da sua idade (actividades extra-escolares, saídas, parques, festas, espectáculos).
- Manter uma comunicação recíproca e continuada com a escola para coordenar as acções.


B) Medidas específicas para estimular a fala

- Ensinar comportamentos adequados de interacção social não verbal e verbal (como saudar, pedir para jogar, como aproximar-se, …
- Actuar como mediador com outras crianças (começar a jogar com a criança e colegas para facilitar a interacção entre eles).
- Jogar com a criança e outros colegas a jogos que exijam uma limitada produção verbal (dominós, jogos de cartas, quem é quem …).
- Planificar situações que facilitem a comunicação verbal com outros (convidar criança para casa, fazer recados, compras…).
- Reforçar todas as aproximações verbais e não verbais da criança com outros colegas (comentar com ela como é agradável estar com os outros, ter amigos, convidar amigos para casa…).
- Ampliar progressivamente o círculo de amigos com os que começa a falar (repetir as situações de êxito com frequência e introduzir pouco a pouco as novas relações).
- Eliminar comentários que façam referência à fala (perguntar se falou na sala de aula, se cantou na música…) quando começar a falar.
- Não lembrar nem antecipar consequências negativas (não ameaçar com possíveis castigos, repetir o ano …).
- Evitar as comparações com outros irmãos, colegas ou outras crianças (assinalar que há outras crianças que falam mais e melhor, que são mais simpáticas …).
- Evitar comentários que sugiram quando pode começar a falar, quando é o momento apropriado, como pode fazê-lo (indicar o momento próprio para falar ou como o deve fazer …).
- Nunca forçar a criança a falar em situações sociais em que se verifique ansiedade excessiva (não insistir que responda à saudação ou perguntas de amigos ou conhecidos).

Medidas e orientações para a escola

Partindo do conceito de mutismo como um medo exagerado de falar, entende-se que uma das formas de o superar consiste em enfrentar as situações sociais e comunicativas que o provocam. Dado que é na escola que se produz grande quantidade de situações deste tipo, será um dos meios prioritários em que se deve centrar a intervenção. A tarefa fundamental do professor e especialmente o tutor da criança será, por um lado, o de estabelecer uma vinculação afectiva positiva com a criança que propicie segurança suficiente para ela se confrontar com as situações e, por outro lado, planificar e implementar actividades de grupo que exijam uma comunicação verbal. Estas actividades deverão ser graduadas em função da fala que se solicita na situação comunicativa, tendo para tal que considerar aspectos como o tamanho da frase, a entoação, o número de pessoas presentes e a elaboração do conteúdo.


A) Medidas para melhorar as características pessoais e sociais


- Implementar na dinâmica da aula o desenvolvimento de actividades de grupo (jogo social e trabalho cooperativo...).
- Evitar a soperprotecção, não fazendo as tarefas que a criança pode fazer.
- Ensinar pequenas tarefas de responsabilidade dentro da sala de aula e na escola ajustadas à idade (fazer recados, distribuir/recolher material, arrumar a mesa, pedir fotocópias à funcionária…).
- Aumentar o controlo do adulto na interacção escolar com o fim de evitar o retraimento do aluno e a existência de tempos em que a actividade depende da sua própria iniciativa.
- Conceber na programação da aula actividades que impliquem o contacto físico entre as crianças (dar abraços…).
- Criar um clima de segurança, aceitação e confiança na aula favorável à comunicação verbal.
- Introduzir actividades de relação de forma habitual tanto com o aluno como com o grupo.
- Programar tempos de coordenação com todos os técnicos que intervêm na acção educativa do grupo a que pertence a criança.
- Manter uma estreita relação com a família para a passagem de informação e o ajuste de critérios e estratégias a implementar no contexto familiar.


B) Medidas específicas para estimular a fala

- Implementar e compartilhar momentos de comunicação com o aluno para o desenvolvimento de uma vinculação afectiva e comunicativa.
- Realizar jogos em que o professor participa com o aluno (de movimento, de mímica, verbais, de troca de papéis…).
- Planificar e implementar actividades e jogos de preparação da fala que não exijam interacção verbal, mas comunicação corporal e produção de sons.

a) Jogos de movimento corporal (imitação de gestos, adivinhar objectos ou acções pela mímica, dirigir-se a um colega com os olhos tapados…).
b) Jogos de produção de sons corporais (através da boca, das mãos, pés…).
c) Jogos com sons articulados ou não (encadeamento de sons, gradação do som, associação de sons a movimentos, …).


- Tomar em atenção, ao planificar as actividades de jogo, do número de participantes, começando com grupos muito reduzidos (2 ou 3) e aumentando progressivamente o número.
- Oferecer ajudas à criança no início da actividade através do colega ou do próprio professor, para o incorporar no grupo e evitar a tendência ao retraimento e a não participar.
- Realizar actividades e jogos de fala, onde a criança não vê a cara enquanto fala (marionetas, falar ao telefone dentro de uma casinha, máscaras, jogos de falar ao ouvido…).
- Planificar actividades em que se solicita ao aluno emissão fonética ou verbal, tendo em atenção três vectores fundamentais e sempre graduados de baixa para alta intensidade:

Pessoa implicada no acto comunicativo

- Criança e profesor
- Criança, professor e um colega
- Pequenos grupos de dois ou três com o professor
- Grupo/turma
- …


Longitude da emissão requerida

- Emitir sons com o corpo
- Emitir sons articulados
- Responder com monossílabos (sim, não, outros)
- Responder com uma palavra
- Responder com frases curtas
- …


Intensidade da emissão verbal

- Vocalização sem som
- Vocalização com som apenas audível
- Vocalização com som audível mas baixo
- Volume ajustado à situação


Apesar da inter-relação destes três vectores, o progresso da criança não tem que ser paralelo em todos eles. Tal exige uma contínua adaptação das actividades à sua volta (pessoas, longitude e intensidade da voz) e em função da evolução conseguida em cada um deles.


- Planificar e implementar momentos diários e frequentes em que o professor faz uma pergunta simples à criança (inicialmente solicitará uma resposta de uma só palavra e, progressivamente, perguntas que requerem respostas de maior amplitude).
- Planear jogos de pares que exijam emissão verbal simples quanto ao conteúdo e breves quanto à longitude (lotos, memórias, adivinhas…).
- Organizar na sala de aula pequenos grupos de trabalho e/ou jogos em que se facilite à criança a intercomunicação com os colegas. É importante que os grupos sejam estabelecidos previamente pelo professor cuidando especialmente da composição dos grupos (inicialmente com os colegas que tem melhor relação).
- Partir sempre do que a criança é capaz de fazer em cada momento, planificando e levando a termo, sempre de forma progressiva, actividades de maior complexidade.
- Reforçar sempre qualquer aproximação da criança à resposta exigida.
- Não manter a aplicação de uma estratégia durante mais que duas semanas, se esta não produzir progressos na criança. Quando tal ocorrer, planificar-se-á outro tipo de estratégias.
- Ir aumentando a exigência e as situações de inter-relação comunicativa, evitando assim a acomodação da criança ao contexto e nível alcançado.


Finalmente, registe-se que as medidas e orientações sugeridas não produzem os mesmos resultados em todas as crianças: para algumas serão suficientes estas medidas, mas para outras não produzem os efeitos desejados. No último caso, dever-se-á proceder a uma reavaliação de todo o processo educativo e desenvolver um programa de intervenção mais específico.


Bibliografia:

Shipon-Blun, E. (2004). Selective Mutism and Childhood Anxiety Disorders. Disponível em: http://www.selectivemutism.org/

Urbán C.C. et al. (2004). El mutismo selectivo: Guía para su detección, evaluación e intervención precoz en la escuela.
Disponível em:

http://www.pnte.cfnavarra.es/creena/002conductuales/Guia%20mutismo%20selectivo.htm

36 comentários:

SaraMaluca:) disse...

Caro Professor,

Tenho um caso de mutismo selectivo na minha sala de aula, contudo este mutismo reflete-se sobretudo com os adultos da instituição. A criança em quetão tem imensas dificuldades em falar com os adultos, contexto em contexto familiar, em interaje verbalmente sem quqlquer dificuldade ou receio.
Em contexto sala de actividades a criança em questão também interage verbalmente com as restantes crianças do grupo. Excepto com os adultos da instituição como já referi.

Li com muita atenção este artigo, que esclareceu muitas e grandes duvidas e ajudou-me a encontrar formas de ajudar esta criança, mas sendo uma criança com caracteristicas de mutismo um pouco diferentes das relatadas (já que ele em contexto casa/familia, e com os colegas de grupo é capaz de interagir verbamente, será que me podia ajudar em encontrar alguma fundamentação que me pudesse ilucidar melhor acerca deste caso?

desde já o meu Obrigada e os meu parabén pelo artigo!

Sara Rodrigues, Educadora de Infância

Triguinha disse...

Supunhamos...

"Marta" não fala. Aconteceu algo, e passou de uma adolescente extrovertida para um ser tímido. Deixou de falar, e não suporta que lhe toquem. O Director de turma leva-a à psicóloga da escola, ams "Marta" recusa-se a falar. Reagem com um olhar "como quem não vê", mantém a mesma expressão, e a mesma posição.

O que deve a psicóloga fazer para "quebrar" este "gelo"?
Que deverá fazer para tentar que ela volte a falar, e lhe explique assim o que se passa?

Obrigada.

Educação e Diversidade disse...

Cara Educadora,

Na problemática "mutismo selectivo", a criança selecciona mesmo o público com quem estabelece/não estabelece relações sociais. Penso que o exposto no artigo se aplica bem ao caso que expõe. Se a criança se relaciona bem com os colegas, tente ganhar a sua confiança:
1º - tentando ignorar a situação, mas...
2º - agindo indirectamente, em situação de jogo, com os seus colegas.

Estou curioso com o evoluir da situação e disponível para, dentro do possível, colaborar. Aguardo notícias.

Cumprimentos.
João Pereira

Educação e Diversidade disse...

No caso “Marta”, parece não estarmos perante um caso de mutismo selectivo. No entanto, e perante tão exíguas referências, é-nos impossível formalizarmos qualquer tentativa de ajuda. Ficamos a aguardar uma descrição mais pormenorizada, que nos poderá ser enviada via email se assim o preferir, para podermos reflectir melhor sobre o assunto.
Os melhores cumprimentos,
João Pereira

SaraMaluca:) disse...

Caro Professor,

Obrigada pela atenção e pela resposta ao meu comentário!
Tenho seguido muitas estratégias e realizado algumas actividades, tendo como base o seu artigo!
E, embora sejam em pequena escala, noto algumas evoluções na criança em questão.
A criança, embora revele ainda um grande medo de se expor verbalmente quando se torna o cantro das atenções ou quando interage verbalmente com adultos, é agora capaz de responder a algumas questões de resposta simples que lhe coloco, de responder à saudação da manhã (onde habitualmente cantamos a canção dos bons dias, e cada criança diz bom dia a todos, ou até de indicar o estado do tempo, quando esta actividade é proposta.
Contudo, fá-lo de tal forma, que revela visivelmente uma timidez exagerada, mas tudo a seu tempo.
A sua relação comigo é um pouco contraditória, no sentido em que ele me procura para dar um beijinho, para mostrar algo que ele tenha trazido de casa, para me mostrar um trabalho que tenha feito, um livro que estava a ver, entre outros. Contudo não fala. Fica esanque à minha frente, à espera de um comentário meu. Apesar de demonstrar que se sente confiante comigo, esta confiança não é suficiente para que haja uma interacção verbal.

Em contexto familiar, e segundo a mãe da criança em questão, ele age de uma forma completamente diferente. Inclusivé é definido pela mãe como uma criança que fala pelos cotovelos!Embora a mãe assuma que, perto de estranhos, ele fica de tal forma inibido, que parece outra criança.

Vou propor a esta mãe algumas estratégias referidas no artigo, para que haja um trabalho continuado.

Mais uma vez muito obrigada pela atenção!

Sara Rodrigues

Educação e Diversidade disse...

Cara Sara,

Obrigado pelas notícias.

Encontrou o caminho certo, Parabéns.
Em relação às respostas que já consegue da criança, não seja demasiado ambiciosa: quando questionar, faça-o de forma a obter respostas curtas (sim/não/concordo…). Fazem-se grandes percursos, caminhando passa a passo e passos não muito longos!
Por outro lado, é muito importante dar atenção ao desenvolvimento da comunicação oral. Esta criança deverá ser exposta ao trabalho de grupo, onde cada elemento poderá desempenhar determinado papel e cujo resultado poderá ser apresentado aos pares ou grupos (conseguindo que ela comunique com os colegas, sem ter que enfrentar quem não seleccionou para o seu espaço de interacção social).
Levará algum tempo a conquistar a confiança da referida criança, mas com estratégias adequadas será muito mais rápido. Trabalhe conjuntamente com a mãe, os resultados serão muito gratificantes.

Cumprimentos.
João Pereira

Maria Alice disse...
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Tânia Gil disse...

Caro Professor,
Somos alunas da Universidade do Algarve, do curso de Educação de Infância, e estamos a realizar um trabalho de investigação sobre o Mutismo Selectivo. Lemos o seu artigo e gostámos muito, pois encontra-se com uma linguagem muito perceptível.Contudo ainda temos algumas dúvidas, pois a literatura que existe, só há em Espanhol e Inglês...e é um pouco díficil arranjar esses livros, mas já temos alguns.O que queríamos perguntar-lhe,era a relação que existe entre o mutismo e a ansiedade...é que tudo o que lemos parece-nos o mesmo, mas no seu artigo, descreve que alguns autores consideram o mutismo como um síndroma de Ansiedade social. Pode esclerecer-nos professor?

Educação e Diversidade disse...

Cara Tânia,
Parabéns pelo interesse demonstrado pela problemática. Mutismo selectivo é, em nossa opinião, um quadro bem definido e nunca alguma das suas características poderá assumir o todo.
Consulte ainda o DSM.IV, disponível em
http://www.psicologia.com.pt/instrumentos/dsm_cid/cid.php
e o trabalho Fobia Social, de Arturo B. López, disponível em http://diposit.ub.edu/dspace/bitstream/2445/359/1/114.pdf

Cumprimentos,
João Pereira

mãe lina disse...

caro professor,

Sou mãe de uma menina de 9 anos e com caractreisticas do mutismo selectivo.A minha filha sempre foi uma criança timida por isso só nos aprecebemos da gravidade do problema quando iniciou a escolaridade. NO 1º ano da primária não demos relevancia à sua timidez visto ser um ano de integração escolar. No 2º ano o comportamento dela piorou, inclusivé a professora alertou-nos para um possivel mutismo selectivo. Sinceramente até aquele momento nunca tinha ouvido ou lido qualquer comentário acerca do assunto.O minha filha qundo está no ambiente familiar é uma criança normal, brinca, fala , grita, ou seja tem um comportamento identico a outra criança. No entanto quando está perante pessoas desconhecidas, ou pessoas conhecidas mas sem uma proximidade regular, ela não fala, mas não abre a boca para dizer nada. Se necessita de algo pede-me ao ouvido para que ninguém a oiça e enquanto nós permanecermos ao pé dessas pessoas ela não fala rigorosamente nada . Já tem acontecido ela escrever as respostas no papel quando alguém, nosso amigo, lhe faz algumas perguntas .As unicas pessoas com que a minha filha fala são os pais , o irmão os avós maternos a avó paterna, as tias e o primo. Na escola fala com a professora, num tom baixinho, quando é mesmo obrigada, como por exemplo pedir para ir a casa de banho ou então quando tem que ler algum texto.Também fala ,unicamente, com uma colega
de turma. Quando necessita de falar com os outros colegas pede à amiga para falar por ela.O que me deixa mais intrigada é que ela não fala com a amiga nem comigo se eu estiver presente.
Houve situações em que o mutismo dela chegou ao limite, como por exemplo ela ir brincar a casa de uma menina,conhecida da avó paterna,e fzer xixi nas calças porque não conseguiu falar e pedir para ir à casa de banho.
Durante algum tempo a minha filha foi acompanhada por um neuro psicologo e por um pedopsiquiátra que lhe prescreveu zoloft. Tomou durante alguns meses, mas o resultado não foi satisfatório, principalmente, a nivel escolar. O desenvolvimento escolar estava a regredir, e ela continuava sem falar. De momento não está a ser acompanhada por nenhum profissional de saúde.A minha grande preocupação é o futuro da minha filha, já que ela não socializa com ninguem.Não sei o que fazer.Agradecia algum conselho sdo professor.Obrigada

cumprimentos

Educação e Diversidade disse...

Cara Mãe,

Antes de mais, permita-me que a felicite pela coragem de trazer até nós este caso. Mais que encontrar um conselho para o problema, o seu testemunho irá ajudar muitas mães e técnicos de educação a reflectirem e a procurarem estratégias de intervenção para crianças com tal problemática.
Quanto ao seu pedido de conselho, é para nós muito difícil emitir qualquer opinião por não conhecermos o processo. Gostaríamos, no entanto, de deixar algumas considerações:
a) A criança com mutismo selectivo demonstra também níveis elevados de ansiedade na interacção social. A aprendizagem do contacto social deverá iniciar-se sempre em ambientes que ofereçam confiança (alguns ambientes familiares, com algum amigo(a), …). A passagem para espaços de maior conflito social deverá ser prudentemente preparada.
b) Estamos perante uma criança com 9 anos, o que nos leva a pensar que irá mudar para o 2º Ciclo. Se é o caso, o novo espaço deverá ser preparado de forma a ser o mais receptivo possível. Contacte com o professor de educação especial e/ou psicóloga e/ou director de turma, previamente ao início do novo ano lectivo e de forma que a sua filha não se aperceba que o espaço está a ser preparado para a sua recepção.
c) O fim do ano lectivo está a chegar. Já pensou nas férias de Verão? Às vezes, mudarmos para um ambiente diferente, mas seguro, faz-nos esquecer coisas menos agradáveis e, quando voltamos, regressamos diferentes, mais animados a enfrentar a vida, a vida que tem as suas coisas boas e menos boas. [Conheço uma criança que quando entrou no infantário, aos 3 anos, decidiu fechar a boca. No fim do ano lectivo foi de férias para um ambiente completamente diferente, mas receptivo. Quanto voltou ao infantário, para a mesma sala, voltou como o que era antes de lá entrar, um autêntico “papagaio”.].

Cumprimentos.
João Pereira

carcarta disse...

Sempre pensei que o meu filho fosse extremamente envergonhado. Uma vez que só falava em ambiente familiar ou com pessoas com quem ele tinha um contacto permanente (por exemplo amigos que dormiam em minha casa mais de dois dias, e não podiam ser muitos, um ou dois no máximo). Noutros tipos de contexto ele interage, ri, brinca, simplesmente não fala. Quando quer alguma coisa segreda-me ao ouvido ou então faz gestos. Quando está mais descontraído ainda em tom normal, mas só comigo.
Gostaria de saber como poderei ajudar o meu filho, uma vez que no final do ano lectivo penso em ir trabalhar para outro pais.
Isto poderá provocar ainda uma maior ansiedade no meu filho.

Educação e Diversidade disse...

Cara Mãe

Obrigado pelo seu comentário, na verdade estamos perante uma problemática que afecta muitas crianças!
Estabeleça uma relação com o filho como se de facto o problema não existisse e qualquer intervenção que venha a desenvolver, faça-o discretamente, isto é, sem que ele se aperceba do objectivo. Quanto à ida para outro país, independentemente das adversidades com que se venham a deparar, encare sempre tal facto como um desafio e, acima de tudo, transmita segurança ao seu filho.

Com os melhores cumprimentos,
João Pereira

Cris disse...

Boa tarde!

Deparei-me por acaso com este artigo e penso que poderá corresponder à situação que vivo actualmente.
Tenho um filho de 5 anos com um desenvolvimento "normal" até ida para o infantário aos 3 anos. Durante os 2 anos que lá permaneceu só falava (muito pouco) com uma funcionária. Com os colegas não fala, mas brinca. No contexto familiar e com as pessoas que lhe são muito próximas (pais, irmão, avós) fala bastante e apresenta até alguma "hiperactividade". No infantário e em algumas situações sociais (meus amigos, vizinhos, etc) é o oposto. Mostra-se reservado e não fala. Sempre atribui à timidez excessiva, se calhar até herdada.
Porém, no fim do 1º ano do infantário fiquei surpreendida e indignada quando a educadora (que não falou comigo o ano inteiro, embora eu fosse lá todos os dias…) me deu conta do mutismo absoluto do meu filho – “durante o ano inteiro só lhe ouvi uma palavra” disse-me. Como estávamos no fim do ano e como houve mudança de educadora, nada fiz e resolvi aguardar.
A educadora do ano passado mostrou-se preocupada logo no inicio do ano e pediu ajuda à psicóloga escolar. No entanto esta admitiu não ter conseguido fazer uma avaliação pois o meu filho "não colaborava", ou seja, não falava com ela. Encaminhou-me para uma consulta de desenvolvimento, que adiei na esperança que as férias alterassem um pouco a situação.
(In)felizmente, este ano, tem uma nova educadora, com quem já abordei ao de leve esta problemática e que se mostrou muito receptiva "a dar a volta à situação". No entanto, o que pensei ser somente uma questão de timidez, depois de ler o artigo, parece-me de mutismo selectivo. Estarei correcta? O que me aconselha a fazer? A psicóloga escolar parece-me muito inexperiente e não me oferece grande confiança.
De salientar que o meu filho nestes 3 dias de infantário me parece estar mais calmo e mais alegre. Ele nunca recusou ir para a escola, mas por vezes mostrava alguma contrariedade, porém agora até corre para a escola (antes ficava atrás de mim, como que a esconder-se dos olhares alheios).
Agradeço desde já toda a ajuda (possível) !
Cumprimentos,
Cristina

Educação e Diversidade disse...

Cara Cristina,
Obrigado pelo seu comentário.
Quanto ao que nos relata do seu filho, encontra-se num bom momento para intervir. Aproveitando a fase de boa empatia que o seu filho parece ter estabelecido com a nova educadora, esta deverá, para começar, não solicitar a intervenção da criança de forma directa, ou seja, fazer-lhe pedidos, mas, por exemplo, e sempre em grupo, perguntar “quem sabe… levanta o dedo”, para posteriormente solicitar a quem tem o dedo no ar a verbalização da resposta. É muito importante que a educadora conquiste a confiança do seu filho antes de lhe pedir qualquer verbalização. Numa segunda fase, quando a educadora pretender uma resposta deste aluno, deverá começar por não ir além de uma resposta curta, do género de “sim” ou “não”.
É muito importante que mãe e educadora colaborem neste processo, conversando sobre as ocorrências e na delineação de novas estratégias. É importante que ninguém na escola (educadora, adultos ou colegas) insista com esta criança para falar. Aos olhos da criança, DEVERÃO AGIR COMO SE IGNORASSEM O CASO.
Votos de bom trabalho.
Aguardo notícias sobre a evolução do caso.
Os meus cumprimentos,
João Pereira

Liliane disse...

Olá!
Gostaria de saber se uma criança com mutismo selectivo deverá beneficiar de PEI no 1.º Ciclo.
Grata pela atenção.
Liliana

Educação e Diversidade disse...

Cara Liliana,
A decisão só poderá ser tomada em função do perfil de funcionalidade do aluno.

Cumprimentos,
João Pereira

Viviane disse...

Olá, meu nome é Viviane,estou em uma turma como apoio de uma aluna com NEE há 3 dias. Ao lado dela percebi que tem uma aluna aparentemente com estas características de mutismo, perfeccionista em suas tarefas, pronta pra copiar, mas desde a hora que entra 13h ate as 17:45 não menciona uma palavra e quando perguntamos algo responde ,quando quer, com sinalização da cabeça lentamente ,sim ou não. Seus colegas de classe dizem que ela sempre ficou quieta, sem dar uma palavra em sala. Senta-se ao fundo da sala no canto e sua visão está voltada sempre para a janela. Alguns professores relatam muitas vezes na frente dela que ela não se expressa, não fala, e um disse que acha que é autista. Conheço alguns casos de autistas ,mas eles falam e se expressam do jeito deles, mas ela é diferente , seu olhar as vezes demonstra medo. Estou a pouco tempo com ela ,e a mim demonstrou sorriso ao cumprimenta-la: "Disse bom dia!! depois falei, ii, desculpa é boa tarde!" se puder me ajudar entre em contato pelo e-mail: aneteodoro17@hotmail.com
aneteodoro@gmail.com

Educação e Diversidade disse...

Cara Vivane
Três dias (8 de abril) é muito pouco tempo para conhecer a criança, mas conseguiu que ela sorrisse para si – conquista muito importante para a criança. Agora que passaram alguns dias, há alguma evolução? Há na sua escola uma psicóloga que possa colaborar! Depois da leitura sobre mutismo, já pensou em alguma estratégia?
Os meus cumprimentos,
João Pereira

Monica e Sofia disse...

Caro Professor,

Sou Educadora de Infância há 11 anos e estou a tirar o Mestrado em Educação Especial.Tive conhecimento de que existia esta problemática através de uma Professora.Fiquei bastante surpreendida e interessada.
Penso que já tive dois casos de mutismo seletivo na minha sala.Um foi há cerca de 5 anos:uma criança que veio para a minha sala com pouco mais de um ano e esteve sempre comigo até ao fim do pré-escolar.Esta criança falava pouco com os seus pares ,mas não falava com adultos,a não ser com os seus pais e irmã.Os pais achavam estranho,diziam que até com os avós ele tinha este comportamento-não falar.Eu também nunca percebi a situação,que foi evoluindo devagarinho,no sentido positivo.
Há cerca de 2 anos entrou para a minha sala um menino de 3 anos que frequentava pela primeira vez uma instituição.Esteve na minha sala 5 meses,nunca falou com crianças ou com adultos,embora já brincasse com os seus pares.Sei que falava,muito e bem,com os seus pais.Os pais retiraram-no co Colégio dizendo que eu não estava a ser competente,pois não consegui "chegar"até ele.Eu não percebi o que estava a acontecer pois desconhecia esta problemática.Senti que falhei.

As minhas colegas também já tiveram casos destes nas suas salas,mas também desconheciam ,assim como os pais,a existência de um "nome" que designa e caracteriza estes comportamentos.

Neste momento estou em situação de stresse pois tenho de escolher um "tema" e pergunta de partida para a minha tese de mestrado.
Sei que quero algo relacionado com o pré-escolar,algo que seja útil no meu percurso.
Pensei neste tema,mas parece que não há muita informação disponível para pesquisa!

Queria por favor saber a sua opinião,se possível,e gostaria muito que respondesse às seguintes perguntas:

O mutismo seletivo é uma problemática ao nível das Dificuldades de Aprendizagem?

Inclui-se nas NEE?

Será viável investigar que tipos de estratégias favorecem este tipo de crianças?

Agradecia a sua resposta,se possível.

Obrigada,parabéns pelo artigo.

Melhores cumprimentos,

Mónica Anjos

Educação e Diversidade disse...

Mónica e Sofia

O Mutismo seletivo é uma NEE de caráter emocional. Parece-me muito interessante pretenderem investigar esta problemática! Votos de bom trabalho.
Poderão encontrar alguma bibliografia nos artigos em "+ orientações: mutismo seletivo", em http://joaopereira05.blogspot.pt/

Cumprimentos,
João Pereira

Cris disse...

Boa noite!
Sou a Cristina, mãe do menino que tinha 5 anos e estava no infantário. Era para lhe dar conta que nesse último ano de infantário eu e a educadora (e até a família) fomos colocando em prática algumas estratégias que lemos aqui e ele foi melhorando. No fim do ano já falava com alguns colegas e com a educadora. Entretanto foi para o 1º ano e portanto nova mudança de professora ( e de escola e de colegas...). A principio muito inseguro ( e eu também...) mas em Dezembro aquando da 1ª reunião com professora esta deu-me conta de que o meu filho revelava alguma timidez inicial, porém a cada dia que passava tornava-se mais comunicativo e participava na aula (quando ela me disse que ele colocava o dedo no ar para responder eu nem queria acreditar..!). Outra mudança extraordinária foram as amizades. No infantário ele dizia só ter um amigo; agora tem imensos :) Enfim, creio poder dizer que já passou, certo?
Quero agradecer-lhe pois foi graças a este artigo e à sua ajuda que consegui compreender e lidar com o meu filho. Muito, muito obrigada! Bem-haja!
Cristina

Educação e Diversidade disse...

Cara Cristina

Agradeço imenso por, passados quase dois anos, voltar a este espaço para nos dar novidades do seu filho. A partilha da sua experiência vem ajudar todos os pais e profissionais de educação que convivem com problemas semelhantes. Vem ainda dar resposta a quem pergunta se esta problemática é ou não uma NEE (necessidade educativa especial) e se a criança deverá ou não beneficiar de um PEI (programa educativo individual). O seu contributo vem evidenciar que a colaboração entre os diferentes intervenientes no processo educativo de uma criança deve acontecer o mais precocemente possível, independentemente de posteriores decisões que se venham a tomar, e isto porque a atividade e participação da criança depende dos fatores ambientais, ou seja, muitas vezes há necessidade de integrar na educação especial casos menos graves que outros que não integram por beneficiarem de contextos adequados ao seu desenvolvimento.
Fico contente por poder ter ajudado.

Cordiais cumprimentos,
João Pereira

Educação e Diversidade disse...

Cara Cristina

No comentário anterior, não me expressei sobre a sua convicção de que este problema já passou. Estou consigo, o problema já passou mesmo, e graças ao seu esforço. Parabéns!

Cumprimentos,
João Pereira

AC disse...

Li com atenção as informações sobre este tema. Todavia, penso que se fala de crianças ainda pequenas que vão ter o seu primeiro contacto social fora da família, como no infantário ou na escola do 1º ciclo. Como lidar com esta situação numa criança de 10 anos, que se encontra no 5º do 2º ciclo? Em casa e nos intervalos (de 10') das aulas, a criança interage com os familiares e pares , não o fazendo durante as aulas. Nem o seu nome diz, nem o seu número, não interage com os colegas na sala, enfim, nada. No caso da aprendizagem de uma língua estrangeira centrada primordialmente na comunicação, a qual contempla a expressão oral, interação, produção oral, como desenvolver o ensino/aprendizagem dessa língua, cujo tempo de contacto disciplinar semanal é reduzido (diferente do tempo escolar do 1º ciclo?)
Grata pela atenção.

Educação e Diversidade disse...

AC,
No 2º ciclo a criança/jovem é já detentora de um processo educativo individual, que carece de uma análise compreensiva das suas necessidades educativas, bem como das respostas dadas (ou não!). Caso se trate de mutismo seletivo, deverá contactar o departamento de educação especial da escola/agrupamento.

Cumprimentos,
João Pereira

Ângela disse...

Sr.Professor

Uma amiga minha tem uma filha de 13 anos que me parece sofrer de mutismo selectivo. A criança já foi seguida, durante algum tempo, por psicólogo mas o resultado foi nulo. Os pais não foram devidamente elucidados do problema que afecta a criança. Actualmente, está a ser afectada no sucesso escolar. Depois de alguma pesquisa vim encontrar o seu artigo. Aquela família necessita de ajuda e eu estou disposta e apoiá-los mas não sei onde me devo dirigir para poder fazê-lo. Saberá indicar-me algumas hipóteses na zona de Coimbra? Os meus agradecimentos, desde já.
Ângela

Juliana Dellatesta disse...

Olá professor, tenho um aluno que apresenta algumas das características citadas no artigo, porém o mesmo além de não falar com adultos no ambiente escolar também não fala com os colegas e familiares. O aluno só conversa com a família estando em casa. Esse aluno teria mutismo.seletivo? O que devo fazer para ajudá - lo tendo.em vista que o mesmo já tem 11 anos de idade e está no 6 ano e segundo os professores anteriores o.mesmo.nunca falou na.escola.

Valérie Machado disse...

Bom dia Sr Professor,

Acabei de ver um artigo seu na net, sobre o tema do Mutismo selectivo. Mas como os comentários são já um pouco antigos não sei se este mail ainda existe, em todo o caso estou a tentar.

Sou mãe de duas meninas, uma de 12 anos que sofre de dislexia e que se encontra a estudar no 7 ano numa escola bilingue em Lisboa (liceu francês). Que com muitas dificuldades vai conseguindo atingir os objectivos.Frequentou a terapia da fala durante 7 anos. Sempre teve dificuldades a nível da psicomotricidade final, mas tinha e tem muito boas relações com os amigos e professores.

A minha outra filha tem 5 anos, e essa sim penso que possa sofrer de mutismo selectivo, pois fala muito mal e muito pouco, frequenta a terapia da fala desde os 4 anos.
Temos notado que até tem evoluído na fala, pois já produz muitas palavras e começa a fazer frases.
Em casa em família fala muito, algumas coisas percebe-se outras não, mas na sala de aula não fala absolutamente nada. Tem um único amigo com quem fala e ri muito, mas assim que alguém se aproxima fica muda.
Frequentou uma creche portuguesa dos 3 aos 4 anos, e agora esta na mesma escola da irmã, que é a tal escola bilingue, onde tudo é feito em francês menos a aula de português.
Mas nas duas escolas o problema foi o mesmo.
E uma menina muito desenrascada, faz e quer fazer tudo sozinha em todos os níveis , em casa e mesmo na escola, a nível da psicomotricidade final também não tem qualquer problema.
já só falta um ano para a entrada na primeira classe, e estou muito preocupada.

Quem me falo no Mutismo selectivo foi a pediatra dela.

Elas frequentam essa escola porque beneficio de uma bolsa escolar pelo estado francês por terem dupla nacionalidade.

Já não sei o que fazer para melhor a situação, por favor ajude-me.

Desde já agradeço a sua ajuda.

Gisleine Martins dos Santos disse...

Olá!
Gostei muito do artigo, muito esclarecedor.
Tenho um aluno de 10 anos diagnosticado com mutismo seletivo, estou dando aula para ele pelo segundo ano consecutivo, e percebo que atualmente, conseguimos estabelecer um vínculo maior com ele, e estou conseguindo com que ele interaja mais (comigo). Hoje ele me responde a algumas perguntas, principalmente com sinal de cabeça afirmativo ou negativo.
Além do mutismo seletivo, ele possui deficit intelectual, estou conseguindo fazer com que ele aprenda números e letras agora, hoje já é capaz de escrever seu nome.
Porém, apesar de ver o progresso, no próximo ano ele irá para o fundamental II, onde terá que conquistar a confiança e começar a desenvolver todo o trabalho novamente. Pois de adulto dentro da escola é só comigo que ele interage.
Seria importante ele se manter na sala de aula comigo? Ou deve prosseguir com o resto da turma?

Grata.
Prof. Gisleine Martins

Educação e Diversidade disse...

Olá Gisleine
Parabéns pelo seu trabalho.
Sem dúvidas que era importante poder continuar a ser a professora deste aluno que estabeleceu já um vínculo consigo. Porém, ele está a crescer e, mais cedo ou mais tarde, terá de se separar. Talvez seja preferível continuar no grupo de colegas que lhe dão segurança.

Cumprimentos,
João Pereira

Mafalda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mafalda disse...

Bom dia Prof. João Pereira,

O meu filho tem 10 anos e já manifesta mutismo seletivo desde os 3-4 anos. Ele fala e interage com toda a normalidade com as pessoas que lhe são mais próximas e nas quais ele confia, pais, irmã, avós, professora, colegas e auxiliares da escola. No entanto com família um pouco mais afastada, ex: tios-avós , amigos adultos nossos já não comunica verbalmente , só por gestos lentos ou por escrita (vai buscar um papel e um lápis e escreve).
Já experimentei adoptar todas as estratégias e mais algumas. Desde incentiva-lo a falar , tentei conversar com ele inúmeras vezes para que ele me explicasse qual a origem do bloqueio, ignorar e esperar que "a timidez" passa-se com o tempo, recompensas ou penalizações.., elogiar qdo fala e agir naturalmente qdo não fala, jogos de interação social etc, etc.
Ele diz-me : "eu quero falar mas não consigo"
Já fomos à psicóloga há 2 anos mas ele não gostou da sua abordagem pq o obrigou a ficar sozinho com ela e forçou-o a falar. Eu tb não gostei desta atitude , penso que a abordagem deverá ser feita de uma forma em que a criança não se sinta ainda mais ansiosa e pressionada.
Reconheço que sou um pouco protectora, que o encho de mimo.... não sei se é por isso mas ele também manifesta pouca autonomia. Por ex: recusa-se a lavar os dentes sozinho e a limpar-se qdo vai à casa de banho.
Peço-lhe, por favor conselhos práticos para o ajudar a ultrapassar esta dificuldade. Já não sei o que fazer.
Muito obrigada e muitos parabéns pelo excelente artigo.